terça-feira, 10 de novembro de 2009

Leite gera enxaqueca!!



O aminoácido glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do SNC de mamíferos e participa de funções importantes como cognição, memória, aprendizagem e plasticidade neuronal. Porém, excessiva estimulação dos receptores glutamatérgicos pode resultar em morte celular, processo este denominado excitotoxicidade e que está associado à processos neurodegenerativos. A remoção do glutamato da fenda sináptica, que ocorre através de transportadores dependentes de sódio de alta afinidade, localizados principalmente nos astrócitos, é o principal mecanismo modulatório das ações glutamatérgicas e responsável pela manutenção de concentrações extracelulares abaixo dos níveis neurotóxicos. O Ácido quinolínico (AQ), um agonista NMDA, é uma potente neurotoxina endógena, cujo acúmulo no cérebro parece estar envolvido na etiopatologia das convulsões. o AQ estimula o sistema glutamaérgico, levando a situações de excitação e quem sabe a enxaquecas. Digo por isso por uma aluna que me relatou estes dias ter enxaqueca grave todas as vezes que bebe leite. A relação que ainda não está 100% elucidada, parece estar relacionada ao triptofano, aminoácido presenta no leite, que por ação da indoleamina dioxigenase e outras enzimas subsequenciais, produz o ácido quinolínico. Veja como o cérebro é impressionante e as pessoas são muito diferentes entre si, pois o mesmo triptofano do leite pode dar origem à serotonina e melatonina (enzima triptofano hidroxilase), relaxantes e inibidores cerebrais. Isto mais uma vez vem mostrar que dietas precisam ser individualizadas. O que vale para um, não vale para outro.

Você conhece o hidroxitirosol?


Tenho lido trabalhos científicos que mostram que o hidroxitirosol é um fitoquímico do grupo dos ácidos fenólicos com poderosas propriedades antioxidantes presentes de forma natural no azeite, e junto com o oleocantal, são os responsáveis pelo poder antioxidante e sabor amargo que caracteriza o azeite extra virgem.

Bioquimicamente, o hidroxitirosol é formado a partir da oleuropeína que por ação das enzimas b-glicosidases, que retiram a molécula da glicose da estrutura, formam o ácido elenólico que se subdivide em tirosol e hidroxitirosol. Esta ultima substância também está presente de forma natural em alimentos como o pescado. Mais atualmente li um trabalho que mostra o vinho tinto também tem esta subtãncia, e mais impressionante é que o etanol pode estimular o corpo a formar o hidroxitirosol. Ainda não discutido é a dosagem e em que circunstâncias metabólicas esta substância poderia ser produzida pelo corpo, mas na minha visão já acredito que a microbiota possa influenciar pois as enzimas glicosidades estão presentes no intestino delgado, cuja função é determinada pela participação dos lactobacilos.

Do que tenho lido as atividades mais preconizadas para o hidroxitirosol são inibição na formação de peroxinitrito, aumentar a atividade da glutationa peroxidase, quelação de metais pesados e proteção da LDL da oxidação.

Mais estudos prometem.

obs: se desejar ver a figura com mais detalhes, é só clicar em cima dela.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Obesos correm mais risco de ter tumor agressivo de próstata

Homens obesos têm mais risco de apresentar tumores agressivos de próstata e o dobro de chances de sofrer reincidência desse tipo de câncer, revela um estudo apresentado ontem pelo urologista americano Stephen Freedland no Congresso Brasileiro de Urologia, que acontece em Goiânia (GO).

Segundo Freedland, os obesos apresentam pelo menos quatro fatores de risco que levam a uma maior agressividade do tumor: diluição do nível de PSA (conforme o IMC [índice de massa corpórea] aumenta, diminui o PSA), aumento do hormônio feminino (estrógeno), crescimento da próstata associado à dificuldade de fazer a biópsia e aumento na produção de uma substância relacionada à insulina (IGF-1).

O médico defendeu a necessidade de se criar um índice de PSA (antígeno prostático específico, da sigla em inglês) ajustável ao IMC. "O obeso tem um volume de sangue maior e produz a mesma quantidade de PSA de uma pessoa normal. Então, o PSA fica diluído, com valor baixo, o que mascara o diagnóstico de câncer. Por isso, perdemos muitos casos iniciais", disse à Folha Freedland, professor e pesquisador do Centro de Próstata da Duke University (EUA).

O urologista Marcos Tobias, professor da Faculdade de Medicina do ABC e chefe do serviço de urologia do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), afirma que, para compensar essa diluição, o PSA de obesos deve ser 30% inferior ao de homens com peso normal. Hoje, todos os homens com PSA superior a 2,5 nanogramas por mililitro têm indicação para fazer biópsia.

Tobias explica que as hipóteses que atribuem o surgimento do tumor em obesos a razões hormonais ainda são controversas. "Há uma série de teorias envolvendo hormônios. Algumas dizem que a gordura transforma a testosterona [hormônio masculino] em estrógeno [feminino], o que, em tese, protegeria os homens de tumores pouco agressivos. Ao mesmo tempo, aumenta os de mais agressividade, que não dependem de hormônios", diz.

Para Freedland, essa relação entre obesidade e câncer de próstata deve ser um incentivo a mais para que os homens percam peso, pratiquem exercícios físicos e adotem uma dieta alimentar mais saudável. O exame de PSA é recomendado para homens com mais de 40 anos que tenham histórico familiar e para todos com mais de 45 anos de idade.


Fonte da informação: 09/11/2009 - 10h02 - CLÁUDIA COLLUCCI da Folha de S.Paulo

domingo, 8 de novembro de 2009

Pré e Probióticos contra o excesso de peso e diabetes


As fibras em geral são conhecidas pelo seu efeito mecânico de produzir saciedade pelo preenchimento do estômago, assim como pela menor absorção de gordura via intestinal e consequente perda nas fezes. Entretanto, os trabalhos mais atuais estão vinculando as fibras aos seus efeitos metabólicos para redução de gordura corporal. Este trabalho de que falarei agora observou o efeito de fibras prebióticas, ou seja, que podem sofrer fermentação pelas bactérias probióticas. Estas fibras, são especialmente os frutooligossacarídios (FOS), os galactooligossacarídios (GOS), a inulina, o amido resistente e a polidextrose. Nesta publicação de 2009, o objetivo era de examinar os efeitos da suplementação de prebióticos sobre a saciedade e sobre os hormônios produzidos no intestino. Um total de 10 adultos saudáveis (5 homens e 5 mulheres) foram aleatoriamente divididos em 2 grupos que receberam cada 16g de prebióticos (teste) ou 16 g de maltodextrina (placebo) / dia por duas semanas. Ficou demonstrado que o tratamento com prebióticos aumentou a excreção de hidrogênio pela respiração (um marcador de fermentação de microbiota intestinal já que a fermentação de bactérias probioticas produz ácidos graxos de cadeia curta, hidrogênio - H2, metano - CH3 e dióxido de carbono - CO2) em 3-vezes e diminuiu as taxas de fome. Os prebióticos aumentaram o GLP-1 (peptidio semelhante ao glucagon) e PYY (peptidio YY), enquanto as respostas da glicose do plasma pós-prandial diminuíram. Esta redução com certeza pelo efeito de estimulo à liberação de insulina que o GLP-1 provoca nas células beta do pâncreas e os 2 hormônios são redutores da liberação de NPY no cérebro, provocando saciedade. Fibras prebióticas podem ser encontradas em alho, cebola, folhas verde escuras, brocolis, repolho, banana, tomate, batata, mel, entre outros.

Importante: é preciso ter bactérias probióticas no intestino para que esses efeitos possam acontecer, e a mastigação precisa ser lenta para que haja tempo suficiente para produção dos hormônios citados.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Soja protege contra câncer.

Esta frase precisa ser ponderada. Estou terminando um artigo sobre nutrição e doenças da próstata a ser publicado no fim do ano ou começo do ano que vem, e um dos alimentos muito estudados nos ultimos anos na questão preventiva e tratativa deste tumor, é soja. Existe um trabalho de 2006 que a dieta a base de soja reduziu o antígeno prostático (PSA) mas não reduziu testosterona, ou seja, a dosagem do antigenp prostático é um marcador mas não de alta sensibilidade/especificidade pois se a testosterona continua alta, ela pode virar dihidrotestosterona (DHT) e induzir ao câncer. Vários trabalhos também tem mostrado que a genisteína, principal isoflavona encontrada na soja, pode ajudar na prevenção e tratamento por agir estimulando genes supressores do câncer de prostata. Os relatos mais atuais mostram que o gene BTG3(gene 3 de translocação de célula B) suprime o câncer de prostata, porem ele tende a estar silenciado em pacientes com esta patologia em virtude da hipermetilação. A genisteína parece reduzir a hipermetilação deste gene e ativar a modificação das histonas, ativando o gene BTG3, supressor do tumor. Mas é importante dizer que os trabalhos não são categóricos em dizer que consumir soja reduz câncer, em virtude do potencial estrogênico da soja, e o que tenho observado mais é a indicação da genisteína isolada ou do consumo habitual de soja, desde a infância, preferencialmente de soja fermentada (ex: tofu) para garantir as isoflavonas na forma aglicada, ou seja, sem estarem ligadas `a moléculas de açúcar (o que também aumenta indicação de não consumir produtos de soja que tenham adição de açúcar).

Vale dizer também que a soja não transgência tem mais isoflavonas que a transgênica. Para ver os valores, clique aqui.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Curso gratuito!

Queria reiterar o convite para o 1º módulo do curso de obesidade que vou ministrar no dia 13 de novembro para profissionais já formados. O ingresso é um brinquedo novo, mesmo que de 1,99. Importante será ajudarmos no Natal aos que não podem comprar. A inscrição pode se feita entrando em contato com: cientificoessencial@yahoo.com.br ou cientifico@essencialdf.com

Síndrome de Gilbert e LDL

Minha colega Glaucia fez um comentário na postagem anterior sobre esse tema. Realmente tenho lido algumas coisas desse tema pois pacientes com Síndrome de Gilbert (SG) fazem parte de um grupo muito interessante. A sindrome de Gilbert é caracterizada por apresentar elevações nas concentrações de bilirrubina, que é pigmento da bile, ou seja, existe ligeiro aumento das concentraçõs de bile na corrente sanguinea (icterícia)). Em geral, a bilirrubina que mais aumenta é a indireta ou a não conjugada. Isto ocorre pela incapacidade de conjugação da bile que é feita com o ácido glicurônico, geneticamente reduzido em paciente com a Sindrome, ou reduzida por efeitos ambientais, como jejum prolongado, exercícios físicos extenuantes, menstruação ou após a utilização de alguns medicamentos. O ácido glicurônico é formado bioquimicamente na via das pentose-fosfato, que por sua vez é estimulado pelos carboidratos, especialmente glicose e frutose. Além disso, são fundamentais neste processo as vitaminas do complexo B. Um aspecto importante dos paciente com a SG é que eles apresentam baixos niveis de LDL, e isto ocorre segundo a literatura pela baixissima capacidade de oxidação das membranas destas particulas, o que faz com que estes pacientes tenham baixo risco cardiovascular. Há dois trabalhos do ano passado que confirmam bem isso. A oxidação da LDL se dá em 3 fases e a 3º fase é chamada de fase Lag (lê-se leg). Nesta fase, a oxidação depende da presença de antioxidantes lipossolúveis, especialmente vitamina E na particula e da ação da enzimas antioxidantes. E é aqui que aparece parte da explicação para os baixos niveis de LDL e altos niveis de HDL em pacientes com SG. Como a bilirrubina não é conjugada e ela vem da hemólise (destruição das hemácias no sangue), existe um aumento na liberação do ferro da hemoglobina presente nas hemácias, o que força o corpo a produzir maior quantidade de enzimas antioxidantes para prevenir a oxidação exercida pela ferro na reação de Fenton. Esse aumento no aporte antioxidante reduziria também a oxidação da LDL, não só por ação do ferro mas inibindo também a oxidação pelo cobre (reação de haber-weiss). LDL quando não está oxidada, é rapidamente retirada da corrente sanguine e seus níveis no sangue reduzem. O que não posso afirmar é se pelos niveis muito baixos de LDL nestes pacientes, eles apresentariam maior risco de câncer. Ainda não li nada a respeito mas como nutricionista, diria que é bom ficar atento.

Artigos citados é só clicar:
Primeiro
Segundo

terça-feira, 27 de outubro de 2009

LDL faz bem!!

Mais uma vez venho fazer esta afirmação, e não estou sozinho nela. Tenho feito buscas sistemáticas na literatura por ser um assunto que gosto muito e que envolve milhões de pessoas. Um trabalho de 2007 por exemplo mostrou que LDL muito baixo aumenta o risco de sepse, febre e canceres hematológicos. MAs este foi apenas um artigo, mas o mais convincente na literatura é uma metaanálise que observou 23 estudos de pessoas em uso de estatinas. Estatinas fazem parte da classe dos medicamentos para tratamento da hipercolesterolemia por inibir a enzima hepática HMG CoA redutase, mas seus efeitos colaterais sem sido vastamente estudados, mas infelizmente por motivos conhecidos, não são divulgados. Neste trabalho que cito, fica clara a relação entre os níveis muito baixos de LDL e câncer, por alteração de enzimas hepáticas, ou seja, pessoas que tem LDL muito baixo podem apresentar redução de fatores protetores contra câncer. Um trabalho mais novo deste ano, também mostra isso, mas em pacientes diabéticos com LDL muito baixo e com alto risco de câncer. Minha visão atual, o problema é o excesso de LDL na circulação, o tempo que estas partículas permanecem ns circulação, o quanto são modificadas na sua estrutura de membrana, e no conteúdo interno. Nuticionalmente podemos modular todos esses aspectos. Quem tem acompanhado os cursos que ministro observa bem estes detalhes. Clicando aqui vc observa outra postagem sobre LDL e câncer.

domingo, 25 de outubro de 2009

PROVAS DE CONCURSOS!!


Está pensando em estudar para concursos ou mesmo fazer provas de graduação? Esse link pode lhe ajudar pois disponibiliza uma série de provas de concursos já realizados. Importante: todas as provas vem com gabarito.

Bons estudos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Repositor hidroeletrolítico


Queria compartilhar um repositor hidroeletrolítico que tenho indicado há algum tempo com bons resultados. Chama-se SUUM (existem outras marcas semelhantes ou idênticas). A vantagem que vejo neste tipo de repositor é pela facilidade, por vir em pastilhas, que se dissolvem facilmente na água, sendo portáteis e de fácil transporte em mochilas, bolsas, etc. Além disso, a possui vitaminas do complexo B fundamentais para manter a via glicolítica e o metabolismo energético como um todo, inclusive para lipólise. Um dos pontos importantes é a presença do magnésio fundamental para contração muscular e metabolismo cardíaco e cerebral (durante e após atividade). A desvatagem para reposição é que é isento de carbooidratos, portanto se vc precisa repor o glicogênio, precisa arranjar outra fonte. MAs se pretende manter a lipolise ativa por um tempo até começar a fazer a reposição energética, dá para usá-lo. Importante também que ele apresenta baixa concentração de cloro.

Cada pastilha:

378,0 mg de sódio

50,0 mg de potássio

65,0 mg de magnésio

36,0 mg de vitamina C

4,0 mg de vitamina B5

1,0 mg de vitamina B6

1,90 mcg de vitamina B12

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Como baixar o ácido úrico??


Ácido úrico elevado no corpo pode levar à gota. Existem 2 formas principais de produção de ácido úrico no corpo. Ou ele criado/transformado a partir das purinas, ou ele é criado no processo de isquemia/reperfusão. Vou abordar o processo hepático. No fígado, as purinas, precisam ser destoxificadas, ou seja, precisam ser transformadas em um composto mais sólúvel e que o corpo tenha vias metabólicas para sua eliminação. Este composto é o ácido úrico. Neste processo hepático, as purinas como todos os compostos participam de 2 fases no processo de destoxificação. Na fase 1 está a enzima xantina desidrogenase, que é ativada e vira xantina oxidase (XO), que converte purinas em ácido úrico. Portanto, estimular esta enzima aumenta ácido úrico, e reduzir ação desta enzima, reduz a produção de ácido úrico. E é isto que tenho lido ultimamente, compostos com capacidade de agir sobre a XO. Tenho visto na literatura, por exemplo, em relação a fitoterápicos, as plantas/flores Koelreuteria henryi, Erythrina stricta Roxb, Lonicera hypoglauca, Selaginella labordei (temos várias espécies brasileiras de selaginela, essa que encontrei com ação na XO parece que não temos na flora brasileira) e Pyrenacantha staudtii (no caso desta ultima, os compostos presentes com maior potencial de ação sobre XO são os glucopiranosídeos, beta-sitosterol e taraxerol). Um trabalho de revisão bem legal do J Nat Prod deste ano, mostra também ação de luteolina (vegetais de tom mais roxo e preto), quercetina (casca das frutas e hortaliças), apigenina e mirecitina (outros flavonóides com poder um pouco mais baixo para o ácido úrico mas maravilhosos para inibir câncer de ovário, por exemplo - encontramos em chás, uvas ou vinho tinto, maçãs, alfaces, couves, mirtilo, laranjas, aipo e tomate) e silibinina (consituinte derivado da silimarina, presente no cardo mariano. Achei muito interessante um trabalho que li também sobre o extrato aquoso de uma larva, muito comum na lavoura brasileira, que se chama Pieris brassicae larvae, e os autores relatam ser a primeira descoberta sobre um inseto/animal e não uma planta com capacidade de produzir vários compostos fenólicos, com estruturas muito complexas, que eles mesmos desconhecem, mas que se mostraram inibidoras da XO (trabalho publicado no J Agric Food Chem deste ano, que é de Portugal - aproveito, um abraço ao amigo Pedro Bastos - fenômeno da nutrição). Belos trabalhos para melhorar nosso arsenal contra a produção excessiva de ácido úrico. Um abraço.

sábado, 17 de outubro de 2009

Consensos e manuais

Pessoal, saiu o primeiro consenso brasileiro para o tratamento do câncer conforme eu havia antecipado aqui no dia 29/9. Para obtê-lo clique aqui.

Além disso, estou disponibilizando o último manual (2006) para tratamento da obesidade do Ministério da Saúde. Para obtê-lo, clique aqui.

Não sou grande fã de manuais pois na minha visão não existem regras para se tratar um ser humano, mas em muitos casos, eles podem sugerir um direcionamento.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Site de receitas

Pessoal, encontrei este site de receitas e gostei. Queria compartilhar com vocês. http://www.livrodereceitas.com/

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NO DIA DO PROFESSOR, UMA POSTAGEM SOBRE MEMÓRIA!



Eu poderia abordar vários assuntos no dia de hoje ou talvez não escrever nada, apenas usar o dia para descansar. Mas meu pensamento é contrário a isso, quanto mais folga tenho, mais trabalho. Acho que é essa a vida do educador. E como professor, preciso de muita memória. Tanto a memória quanto a cognição estão ligadas ao hipocampo, uma região do cérebro que pode sofrer atrofia por diminuição da neurogênese (formação de neurônios), redução de fatores neurotróficos, estresse oxidativo e disfunção e morte das mitocondrias. Para cada uma destas funções há inúmeros nutrientes, poderia eu ficar horas escrevendo, mas quero chamar atenção para uns trabalhos recentes e substâncias pouco difundidas.

Uma delas é o ácido siálico, substância presente apenas no leite materno ou leite de mamíferos (colostro) ou na forma de suplementação. O ácido siálico leva à formação dos ácidos N-acetylneuraminico e N-glicolilneuraminico, estimulantes de genes reponsáveis pelo aprendizado e memória.
Outro nutriente é o ácido lipóico, importante na restauração de enzimas mitocondriais bem como no processo de geração de energia (piruvato - acetilcoa) nas células cerebrais. Muito trabalhos tem mostrado também que o ácido lipóico é quem regenera a glutationa e as vitaminas C e E, aumentando o potencial antioxidante do cérebro, mantendo íntegras as células neuronais do hipocampo. Vale dizer que o cérebro produz altissimo nível de estresse oxidativo pois consome cerca de 20% de todo oxigênio captado pelo ser humano. Ácido lipóico também reduz a presença de arsênico no cérebro, metal tóxico e deletério da memória. Não há bons artigos no mundo sobre fontes alimentares de ácido lipoico, sabe-se parcialmente que a cenoura, brócolis, tomate e espinafre são excelentes fontes, estando presente em vegetais de uma forma geral. Também trabalho muito com suplementação.
Outro nutriente que gostaria de abordar é a rutina. Rutina é um flavonoide muito comum em casca de frutas e há uns trabalhos deste ano mostrando que ela é capaz de aumentar a sinapse via fatores neurotróficos, além de inibir em 20 dias a redução no número de neurônios piramidais do hipocampo, redução esta que é induzida pela susbtância trimetiltina. Estas ações provocam melhora da memória.
E por ultimo, um trabalho de revisão também deste ano mostrando que suco de uva, frutas vermelhas, azuis, pretas e roxas (berrys) mais as castanhas, nozes e amêndoas, são capazes de melhorar a sinalização neuronal, reduzindo a perda da memória natural da idade avançada, pelo seu alto potencial antioxidante.

Acho que era isso. Será que esqueci alguma coisa (hehehehahaha...)????

Forte abraço a todos.

Para quem quiser mais detalhes:

J Nutr;139(9):1813S-7S, 2009.
Cell Mol Neurobiol;29(4):523-31, 2009.
Toxicol Pathol 2004; 32; 527.
AJCN; 85: (2), 561-569, 2007.
Annu Rev Nutr;29:177-222, 2009.