quinta-feira, 1 de abril de 2010

O café continua controverso!!


Vejam vcs. Duas pesquisas lançadas no mesma revista (american journal of clinical nutrition), na mesma edição, hoje, primeiro de abril de 2010 sobre consumo do café. Dois resultados diferentes, ainda que algumas semelhanças. Em um deles, onde uma das autoras é brasileira, a nutricionista Daniela Sartoreli, da USP de Ribeirão, usou dados de um estudo francês que acompanha quase 70 mil mulheres com idades entre 41 e 72 anos desde 1990. Para relacionar o consumo de café das voluntárias e a menor incidência de diabetes, comparou dados de 1993 a 2007. O diferencial da pesquisa da Dani é que fez-se uma correlção com o horário de tomada do café, após as refeições. As mulheres que consumiram café após o almoço tiveram risco 34% menor de ter diabetes. A proteção não foi encontrada naquelas que tomaram café em outro momento. Versões cafeinadas ou não, com ou sem açúcar apresentaram os mesmos benefícios. Importante dizer que 60% das mulheres consumiam sem açúcar e, quando o adicionavam, era em quantidade bem menor do que aqui no Brasil. Uma das explicações possíveís é a menor absorção de ferro, já que níves de ferritina altos aumentam inflamação e levam à resistência à insulina.

A outra pesquisa avaliou o uso de 4 xícaras de café coado por dia no primero mês e depois 8 xícaras (cada uma com 150ml)no segundo mês. Os pacientes apresentaram redução da inflamação demonstrada por redução do colesterol total, aumento do HDL e aumento da adiponectina, a única citocina antiinflamatória produzida no tecido adiposo. Entretanto não foi observada nenhuma modificação quanto aos valores de glicemia, e ainda sim, ligeiro aumento na glicose, apesar de não ter sido considerado significativo.

Os dados são promissores, ainda que eu concorde com o Dr. Augusto Pimazoni (que é coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp) que andou dando declarações que "não crê que o consumo de café, isoladamente, seja capaz de promover benefícios clínicos significantes em termos de impacto populacional".

É continuar estudando e observando os resultados na nossa prática clínica. Tudo em moderação parece trazer benefícios. Vale a observação que o cafezinho francês é tomado com parcimônia, ao som de belas músicas, nas proximidas da Chans Elize e do Arco do triundo, da Torre Eiffel, com belíssima iluminação, bem diferente do pingado brasileiro, às pressas, na padaria, segurando a bolsa na frente do corpo para não ser roubada enquanto bebe, antes de ir para o trabalho. Cafezinho no fim da tarde com a excelente receptividade mineira é bem diferente e provavelmente traria melhores resultados nutricionais.

As pesquisas:

Daniela S Sartorelli, Guy Fagherazzi, Beverley Balkau, et al. Differential effects of coffee on the risk of type 2 diabetes according to meal consumption in a French cohort of women: the E3N/EPIC cohort study Am. J. Clinical Nutrition, Apr 2010; 91: 1002 - 1012.

Kerstin Kempf, Christian Herder, Iris Erlund, et al. Effects of coffee consumption on subclinical inflammation and other risk factors for type 2 diabetes: a clinical trial. Am. J. Clinical Nutrition, Apr 2010; 91: 950 - 957.

2 comentários:

Lyly Cabral disse...

E em relação a cafeína, você tem algum estudo, para estar compartilhando conosco, porque a cafeína é estimulante e até onde sei o seu efeito ativa o córtex cerebral, e os efeitos depende de pessoa para pessoa,não é isso?

Grata
Líli

Henrique F Soares disse...

Existe uma imensidão de artigos sobre cafeína. É só ir em www.pubmed.gov, digitar caffeine que ele abre as várias opções. Cafeína e exercício, cafeína e infarto, cafeína e hipertensão, etc. Ao gosto do freguês.