quinta-feira, 19 de julho de 2012

DESTOXIFICAR PARA QUEIMAR GORDURA!!

Muitas pessoas questionam a idéia da destoxificação, mas creio que isto ocorre pela forma errada que muitos profissionais tentam estimular esse processo normal, fisiológico, do organismo humano. Temos estruturas celulares específicas pra isso, já nascemos com elas, exatamente porque somos submetidos durante toda a vida a inúmeras toxinas. Esta postagem vem tratar deste assunto porque é uma pergunta recorrente dos meus pacientes e da minha esposa, e no caso específico, atendi um cliente esta semana que chegou com uma fórmula prescrita que continha fucus vesiculosos e kelp iodine. Ambas são prescritas normalmnente como fonte de iodo, estimulantes da tireóide, para garantir aumento do gasto energético e maior queima de gordura. Não concordo com a prescrição das duas fontes, juntas, não vejo necessidade, mas principalmente me preocupa a utilização da kelp iodine. Esta alga tem sido relacionada a casos de intoxicação e alteração no funcionamento da tireóide, e dados da literatura mostram que as principais fontes desta alga estão contaminadas com perclorato, um xenobiótico, comum em fertilizantes e herbicidas, ou seja, são toxinas. Traduzindo, paciente pode estar se intoxicando com a fórmula. Não posso por questão de ética, mandar parar de tomar nem dizer se está certo ou errado, mas posso mostrar pesquisas científicas e pelo menos estimular a destoxificação através da dieta e/ou fitoterápicos para reduzir possíveis efeitos adversos. Uso de algas marinhas na dieta ou na forma de suplemento são super indicadas, mas é preciso ter cuidado com dose (risco de juntar duas fontes de iodo de alta concentração em uma mesma fórmula), se os pacientes estão ou não deficientes em iodo, ou se o problema é a entrada de iodo na tireóide, e se a fonte de iodo é confiável.

Deixo aqui as referencias do que falo até porque pedi ao meu paciente que olhasse a postagem:

Perchlorate in seawater: bioconcentration of iodide and perchlorate by various seaweed species. Anal Chim Acta. 2006 May 10;567(1):100-7. Martinelango PK, Tian K, Dasgupta PK.
Iodine-induced thyrotoxicosis after ingestion of kelp-containing tea.J Gen Intern Med. 2006 Jun;21(6):C11-4.Müssig K, Thamer C, Bares R, Lipp HP, Häring HU, Gallwitz B.

5 comentários:

Dr. Frederico Lobo disse...

Doctor, ja recebi VÁRIOS pacientes com Kelpiodine, retiro de TODOS... Por um simples motivo, Iodo é faca de dois gumes. A falta pode ser prejudicial mas o excesso tb pode ser muito deletério. A própria ANVISA quer retirar um pouco do Iodo do nosso sal, pois alguns especialistas acreditam que a maior incidência de tireoideopatias pode ser oriunda dessa suplementação excessiva... e tem MUITO (falo muito pq conheço muitos ortomoleculares que suplementam Iodo) profissional continua prescrevendo... Eu sou contra a suplementação, tive uma experiência péssima quando em 2009 resolvi prescrever Lugol pra uma paciente (após um famoso Modulador Hormonal indicar no seu curso) e o TSH da paciente foi de 4 pra 30... hj reconheço que foi iatrogenia e semanalmente recebo no consultório pacientes usando Lugol... virou moda prescrever, seja pra tireodeopatias, seja pra nodulos na mama, hipertrofia prostática... enfim, acredito que nossa população não precisa de tanto Iodo, mesmo sendo o solo pobre...

Dr. Frederico Lobo disse...

Por outro lado tive uma experiência ótima com uma paciente intoxicada com mercúrio e portadora de hipertireoidismo (pelo mercúrio já crônico)... a mesma é vegana, quase não usa sal nos alimentos, fiz a desintoxicação com Selênio, EDTA e tals mas acho que o que melhor agiu sobre a tireóide dela foi o fato dela ter iniciado o uso daquelas algas pra sushi, ela começou a comer meia folha daquelas por dia... ao final de 3 meses o TSH estava normal, T3, T4 normais e o nível de anticorpos contra o receptor de TSH despencou... isso mostra que o uso de algas pode e deve ser estimulado ao invés da suplementação de Kelpiodine... isso se o paciente não utiliza muito iodo...

Henrique Soares disse...

Perfeito Dr. Fred, Nori e Wakame por exemplo são algas com excelente quantidade de substâncias enxofradas, fundamentais para combater o estresse oxidativo, proteção hepática e estimular a destoxificação. As vezes até aumentam um pouco a produção de flatulências, mas os benefícios compensam. Além de ter iodo biodisponível para células, o que não acontece muito com iodo do sal. É reduzir o consumo de sal iodado e trocar pelas algas. E não se pode esquecer das excelentes propriedades das algas doces, tipo espirulina e clorela.

Anônimo disse...

Boa tarde Henrique Soares,

Fiz algumas pesquisas sobre o iodo pois acreditava estar deficiente desse mineal em função da baixa ingestão de sal no meu dia-a-dia. Parece haver uma polêmica grande em relação ao uso de iodo para quem tem Hashimoto, como eu. Sigo uma dieta sem glúten e faço suplementação de selênio, L-tirosina, vitamina D e K e ferro pq minha ferritina é sempre bem baixa. Não consigo ver melhoras nos sintomas (independente do TSH, que oscila demais). Sinto como se estivesse inflamada por completo. Alguma sugestão?

Liliane

Anônimo disse...

POR ISSO SOU SUA FÃ!VC É O CARA!

FLAVIA PALOMBINI
(NUTRI DE VITÓRIA- PÓS VP-RJ)